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Viviane Pedrosa, psicóloga
<!-- RASCUNHO PARA REVISÃO DE VIVIANE PEDROSA. Não publicar sem revisão clínica. -->

As datas difíceis: aniversários, Natal e o primeiro ano sem alguém

Datas marcadas reabrem o luto porque comparam de forma direta o ano passado com este. O aniversário de quem morreu, o Natal e a data da morte são as mais difíceis.

Na prática, a véspera costuma ser pior que o dia. Antecipar como você quer passar, e ter uma saída combinada, costuma ajudar mais do que fingir que é um dia comum.

Por que datas doem tanto

No dia a dia, o luto se dilui em tarefas. Numa data marcada, isso não acontece: ela existe justamente para ser lembrada, e ela força uma comparação direta entre o ano passado e este.

Há também um efeito prático. Datas concentram pessoas, rituais e lugares fixos. A cadeira vazia na mesa não é uma metáfora, é uma cadeira vazia, e todo mundo vê.

As datas que costumam pesar mais:

  • o aniversário de quem morreu;
  • a data da morte, especialmente o primeiro ano;
  • Natal e ano novo;
  • Dia das Mães e Dia dos Pais;
  • o próprio aniversário, quando aquela pessoa era quem ligava primeiro;
  • datas privadas, que ninguém em volta sabe que existem.

A véspera costuma ser pior que o dia

Esse é um dos relatos mais frequentes no consultório, e saber disso de antemão ajuda.

A antecipação carrega o peso inteiro: você imagina o dia, ensaia como vai reagir, teme desabar na frente dos outros. Quando o dia chega, ele costuma ser mais suportável do que a espera, em parte porque já não há nada a antecipar.

Se a semana anterior estiver muito difícil, isso não é sinal de que o dia será insuportável.

Antecipar em vez de fingir

Fingir que é um dia comum quase nunca funciona, porque o corpo sabe a data mesmo quando você decide ignorá-la. O que costuma funcionar melhor é decidir com antecedência como você quer que ele seja.

Algumas decisões que ajudam:

  1. Escolher onde estar. Repetir o mesmo lugar de sempre, ou justamente mudar. As duas opções são válidas, e o importante é que a escolha seja sua.
  2. Escolher com quem estar. Estar sozinha é uma opção legítima. Estar acompanhada de uma pessoa que aguenta o assunto é outra.
  3. Combinar uma saída. Avisar alguém de confiança que você pode ir embora sem explicação tira o peso de ter que aguentar até o fim.
  4. Decidir o que fazer com a ausência. Algumas famílias abrem espaço para falar da pessoa, acender uma vela, contar histórias. Outras preferem não mencionar. Vale combinar antes, porque o desencontro nessa hora machuca.

Sobre os outros

Duas coisas costumam acontecer nas datas, e as duas doem.

A primeira é ninguém mencionar a pessoa que morreu, por medo de estragar o clima. O silêncio é sentido como se a pessoa tivesse sido apagada.

A segunda é o excesso de atenção, com todo mundo perguntando como você está a cada meia hora, o que impede qualquer momento de normalidade.

Se você conseguir dizer antes o que prefere, mesmo em uma mensagem curta para uma pessoa da família, isso resolve boa parte do problema.

O primeiro ano

O primeiro ano tem uma característica própria: cada data é uma estreia. O primeiro aniversário sem, o primeiro Natal sem, a primeira viagem sem. Cada uma delas vem com o trabalho adicional de descobrir como aquilo funciona agora.

Muita gente relata que o segundo ano é diferente, e não por a dor ter diminuído, e sim porque as datas deixaram de ser inéditas. Existe uma referência do ano anterior, e saber que você já atravessou aquilo uma vez muda a expectativa.

Também é comum que a proximidade do primeiro aniversário da morte traga uma piora nas semanas anteriores, e que ela alivie logo depois da data passar.

E se você desabar

Desabar em uma data não é retrocesso. O luto não anda em linha reta, e uma onda forte no meio de um período mais estável não desfaz o que já foi atravessado.

Se depois da data a queda não passar, se a rotina básica não voltar, ou se aparecerem pensamentos de morrer, procure ajuda. Isso não espera a próxima data.

Como a terapia entra nisso

Nas semanas que antecedem uma data, o trabalho costuma ser prático: pensar junto como você quer passar, o que quer evitar, o que quer permitir. Depois dela, o assunto costuma ser o que aquele dia trouxe à tona.

Se você está se aproximando de uma dessas datas, veja a página sobre terapia para luto, com atendimento presencial em Goiânia e online para todo o Brasil.

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